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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Alice no País das Maravilhas – Tim Burton

Alice-In-Wonderland-Theatrical-Poster Quando assistimos um filme feito por um grande cineasta, geralmente temos a idéia de que ele deu um toque especial para a estória. Neste caso presenciamos o contrário. Nunca um conto clássico esteve em tão boas mãos quanto Alice no País das Maravilhas. Se tem um cineasta que se encaixa exatamente no “estilo” deste “Conto Sem Fadas”, esse alguém é Tim Burton.

Esta versão de Alice no País das Maravilhas não nos da a clareza necessária de afirmarmos ser a melhor, muito menos a pior de todas já antes produzidas. O mesmo vale para a filmografia interessante e criativa de Tim Burton. Este está longe de ser o seu melhor, muito menos pior filme. A parceria de Burton e Johnny Depp já é conhecida por todos os 6 longas anteriores. Depp fazendo o “Chapeleiro Maluco” trás o habitual carisma e a corriqueira excentricidade que vem colecionando papeis após papeis.

Voltando a produção notamos que a estória de Alice é sim propícia para o tão febril estilo 3D do momento. É uma estória cheia de extravagancias, cenários adequados para serem explorados com a profundidade que o 3D nos proporciona. Sendo sincero, não assisti esta película em uma sala com esta tecnologia, porém é possível ficar imaginando os momentos de foco primário, quando por várias vezes os objetos no primeiro plano ganham uma atenção especial. O diretor Tim Burton já deu várias declarações de que este seria seu maior desafio, pois trabalhar com poucos elementos reais nos sets e muitos virtuais seria complicado para ele. Estamos falando de um dos melhores diretores no momento, principalmente no quesito criatividade visual, Tim Burton consegue abrir o livro e nos levar até o “País das Maravilhas”.

No enredo temos a estória praticamente de sempre, apesar de Alice estar “voltando” ao País das Maravilhas, ela passa por praticamente todos os passos que uma vez já passara quando menor. Chegando na protagonista temos uma Alice pouco conhecida. Muitos que assistiram a interpretação “pálida”, quase literalmente, achou que Alice poderia ser mais emotiva e o que se viu foi uma atuação passiva. Ao meu ver a escolha de Burton por uma Alice “discreta” foi acertada, já que certos papéis muito clássicos tendem a perder a força quando competem com um rosto estelar hollywoodiano. Não é amor a primeira vista, a princípio senti algumas dúvidas nesta Alice, porém depois vi que a atuação foi na medida certa.

Juntando um elenco excelente, um diretor criativo e competente, elementos técnicos afiados e o que se tem é uma expectativa acima da média. Isso tudo existe no filme, porém é a essência do conto que não colabora. Alice no País das Maravilhas é uma estória que foge do que estamos acostumados, porém por vezes foge de mais. As vezes temos a sensação de que metáforas foram plantadas a força e não brotadas naturalmente. Alice vale a pena ser conferida, porém não é uma daquelas estórias que saímos embriagados de felicidade quando termina. Esta Alice tem o seu valor, não mais do que isto.

Marcelo Lobo

Ficha Técnica

Título Original: (Alice in Wonderland)

Lançamento: 05 de Março, 2010.

Produção:  Richard D. Zanuck, Joe Roth, Suzanne Todd, Jennifer Todd.

Direção: Tim Burton

Roteiro: Linda Woolverton, Lewis Carroll (Livro)

Atores: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Stephen Fry, Crispin Glover,Michael Sheen.

País: EUA.

Língua: Inglês.

Duração: 108 min.

Gênero: Aventura, Fantasia.

Trailer

domingo, 25 de abril de 2010

O Desinformante

o-desinformante-poster O filme O Desinformante, baseado no livro de Kurt Eichenwald, retrata uma estória real de um mentiroso vice presidente de uma companhia norte-americana enganando a todos que se relaciona. Does seus próprios pais ao FBI. Mark Whitacre (Damon) aborda o FBI para revelar o envolvimento de executivos da empresa em que trabalha, incluindo ele próprio, com encontros com empresas rivais sobre os ajustes dos preços de um determinado aminoácido (Lysine) utilizado na produção dos produtos de sua empresa Archer Daniels Midland. Whitacre então concorda em participar na investigação federal com a intenção de supostamente cooperar buscando informações valiosas.

Merecemos chamar a atenção para a atuação memorável de Matt Damon, que constrói uma personalidade singular em cada personagem que aborda. Damon com este papel chegou a ser indicado ao Globo de Ouro deste ano (2010) e demonstra uma carreira já bem versátil e ainda bastante promissora. A tarefa de representar um mentiroso não é fácil. No caso deste filme o personagem de Damon é, não só um mentiroso, como um mestre da manipulação. Ele acredita e se envolve nas mentiras que cria de tal maneira que seria difícil alcançar um nível de originalidade que Damon trouce para a estória.

A direção de Steven Soderbergh ( Che Partes 1 e 2 e Confissões de uma Mente Perigosa) trás um poder visual importante para a película. A acertada escolha por filtros por vezes amarelados e um brilho especial em exagero tornam a fotografia bastante original. Vale também chamar a atenção para a audácia de montar um filme com um roteiro adaptado (de Scott Z. Burns)  bastante complexo. E foi aí que Soberbergh e Burns caíram em uma zona perigosa. O filme em si tem uma idéia simples, porém parece que o fato do personagem contar muitas mentiras e confundir a todos, por alguns momentos nós também temos a sensação de que estamos confusos, mais pela direção - e é aí que entra a crítica ao trabalho de Soberbergh - que a estória toma, do que pela idéia geral.

O Desinformante, em geral é interessante para vermos aonde uma mente que mente pode chegar. Para conferirmos uma boa atuação de Matt Damon. Uma identidade visual interessante e uma direção de Soberbergh, que apesar de já ter feito muitas coisas melhores para o cinema, não chega a desagradar.

por Marcelo Lobo.

Ficha Técnica

Título Original: (The Informant)

Lançamento: 18 de Setembro, 2009.

Produção:  Gregory Jacobs, Jennifer Fox, Michael Jaffe, Howard Braunstein, Kurt Eichenwald.

Direção: Steven Soderbergh

Roteiro: Scott Z. Burns, Kurt Eichenwald (Livro)

Atores: Matt Damon, Scott Bakula, Joel McHale, Melanie Lynskey.

País: EUA.

Língua: Inglês.

Duração: 119 min.

Gênero: Comédia(Humor Negro).

Trailer

terça-feira, 13 de abril de 2010

Bananas – Woody Allen

bananas

Retornando a filmografia do gênio Woody Allen chegamos aos anos 70 com a comédia intitulada “Bananas”. É apenas o 4º filme do nova-iorquino como roteirista, terceiro como diretor e primeiro como o Woody Allen que conhecemos. A película marca o nascer de uma série de assinaturas cinematográficas do cineasta: a primeira loira, o primeiro neurótico, as primeiras citações judaicas, a primeira sessão de psicanálise e é aqui que  finalmente presenciamos o nascimento de Woody Allen.

A escolha do título “Bananas” permanece multi-interpretável. Além da fruta a palavra tem o significado informal do adjetivo “louco”. É possível que o uso da mesma tenha sido uma proposital reverência a uma das primeiras obras dos Irmãos Marx os quais Allen mencionou ter sofrido muita influência no período de criação da película. Sempre sarcástico Woody Allen ao ser questionado sobre a razão do título ser este respondeu “…porque não tem bananas no filme”. Sabe-se que o livro Don Quixote, USA. serviu de pesquisa para ele e que o personagem principal era um agrônomo especializado em bananas.

O filme conta a estória de Fielding Mellish, típico nova-iorquino que inconformado com “o fora” dado por sua namorada ativista Nancy, decide viajar para a América do Sul e envolver-se com a revolução de São Marcos para impressionar a loira nova-iorquina. Através de uma aventura sem pé nem cabeça o cineasta encontra pretextos e oportunidades de referenciar, ainda que de maneira sutil, audaciosa e desajeitada, obras clássicas como “O Encouraçado Potempkin” (Serguei Eisenstein) e o estilo cômico/mudo em algumas seqüencias Chaplinianas. Woody Allen demonstra uma compreensiva imaturidade rítmica nas escolhas essenciais da estória, tornando evidente uma indecisão - duvidosamente proposital - as vezes pelo sarcasmo e em outros momentos através do humor escrachado e extravagante. Erros e acertos humorísticos alternam-se ao longo de todo o filme, porém o que não dá para negar é a audácia e tremenda criatividade expressada por vezes em acertadas cenas detalhadamente cômicas.

Bananas é uma comédia com um ar político-despretensioso que serviu para plantar várias sementes na cabeça do gênio, sementes estas que poucos filmes mais tarde dariam belos frutos. Este sim é um filme de Woody Allen.

Marcelo Lobo.

(Texto originalmente publicado no blog mlobocrítico)

Ficha Técnica

Título Original: (Bananas)

Lançamento: 28 de Abril, 1971.

Produção: Jack Grossberg

Direção: Woody Allen

Roteiro: Woody Allen, Mickey Rose.

Atores: Woody Allen, Louise Lasser, Carlos Montalban.

País: EUA.

Língua: Inglês.

Duração: 82 min.

Gênero: Comédia, Aventura.

Cena

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Código de Conduta

29c2aa-postagem-codigo-de-conduta Filmes inteligentes são raros ultimamente. Código de Conduta é desses que lhe instiga o raciocínio constante, não te dá sono e nem agonia em excesso. Ele mexe com um lado da mente onde se calcula mais, pensa mais. O roteiro é muito bem bolado, de forma a escancarar e criticar o sistema legal dos Estados Unidos. É inevitável associar filmes desse gênero com alguns casos famosos na vida real. Já que acabamos de deixar Isabela Nardoni descansar em paz é interessante sempre ver como vários casos legais podem ter pano para manga, ou seja, virarem um filme.

Esta é a estória de Clyde Shelton (Gerard Butler – na sua melhor atuação no cinema até agora) um homem inteligente e calculista que após presenciar a morte de sua mulher e filha decide fazer justiça com as próprias mãos. Imagina-se de cara que é apenas mais um filme com o tema vingança.Isso é o que no princípio o roteiro nos leva a pensar. Logo no desenrolar dos fatos é que percebemos que estamos diante de um Advogado (Jamie Foxx), responsável por libertar os criminosos, tentando alcançar o nível de calculismo que Clyde apresenta de dentro da prisão. Começa então um jogo mental de gato e rato difícil de manter a originalidade no cinema, porém neste caso conseguiu nos apresentar uma trama muito bem escrita.

A direção é de F.Gary Gray, jovem diretor que saiu de do mundo dos vídeo clips para apareceu dirigindo um elenco de primeira em “Uma Saída de Mestre”. O diretor não inova nas questões técnicas, apresentando uma fotografia e tomadas urbanas que se não chamam a atenção positivamente também não atrapalham a trama. Trama esta escrita pelo mais experiente Kurt Wimmer que dentre outros trabalhos escreveu “Thomas Crown – A Arte do Crime” e “Os Reis da Rua”. Ele da consistência séria e é o responsável principal do filme atingir um nível plausível de realismo.

O filme Código de Conduta é controverso; ele questiona os nossos valores morais e legais. Ele tenta nos inebriar com a sede de justiça apresentada pelo personagem de Gerard Butler durante toda a película. Talvez o filme peque por nos levar a um nível de esperança de 100 à 0 ao longo de todo o filme apenas para chegarmos a um realismo inevitável contido no final. Mesmo não apresentando nada de novo nos quesitos técnicos, é na rara originalidade do enredo que o filme se estabelece. Ainda que de forma parcial em seus questionamentos trás um raciocínio para a vida que construímos no mundo real.

Ficha Técnica

Título Original: (Law Abiding Citizen)

Lançamento: 16 de Outubro, 2009.

Produção: Gerard Butler, Kurt Wimmer, Mark Gill, Lucas Foster, Alan Siegel.

Direção: F. Gary Gray.

Roteiro: Kurt Wimmer.

Atores: Gerard Butler, Jamie Foxx, Leslie Bibb, Colm Meaney, Viola Davis, Bruce McGill.

País: Estados Unidos.

Língua: Inglês.

Duração: 108 min.

Gênero: Crime, Drama, Policial, Suspense.

Marcelo Lobo

(Texto publicado originalmente no blog mlobocrítico)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A Cor do Paraíso

cordoparaiso500 Este filme iraniano vem nos mostrar a importância dos sentidos. A cegueira nunca foi representada no cinema com tamanha sutileza. O respeito com que o diretor iraniano Majid Majidi tem com o cinema é digno de aplausos. Ele consegue estimular através da composição cinematográfica deste filme nosso tato, visão, audição através da comovente estória de Mohammad.

Saindo de uma centro de cuidados especiais para deficientes visuais Mohammad é levado pelo seu viúvo pai, Hashen. Ele leva o garoto para morar com suas irmãs e a adorável avó nos campos iranianos. O garoto nos mostra uma habilidade extraordinária em desenvolver seus sentidos. Por pouco tempo sua avó o leva a escola local, ele é um sucesso. Neste momento percebemos que não existe apenas um cego na estória. Hashen não enxerga o filho que tem e o quão especial ele é. Com medo do filho ser frustrado no futuro ele se equivoca tirando-o dali, levando-o para uma carpintaria de um cego.

Os grandes gênios do cinema, ao fazerem seus filmes, toma um cuidado especial em cada aspecto cinematográfico. Com Majid Majidi não é diferente. Ele apresenta seus personagens de forma realista, humana e com muita sensibilidade. A utilização das cores, cenários e ângulos são uma aula cinematográfica. Simplesmente impecável.

Convido você a notar a utilização da musica nesta película, o melhor, a ausência dela. Escutamos musicas de fundo em não mais do que cinco vezes ao longo de todo o filme. Fica claro a escolha do diretor em nos presentear com a sensação de escutarmos mais os sons e efeitos da natureza que cerca Mohammad, desta maneira é impressionante como conectamos os nossos sentidos aos do garoto.

“A Cor do Paraíso” é mais um daqueles filmes que podemos dizer e afirmar que o cinema é uma arte magnífica.

Marcelo Lobo.

Ficha Técnica

Título Original: (Rang-e Khoda – Tradução literal: A Cor de Deus)

Lançamento: 8 de Fevereiro, 1999.

Produção: Mehdi Karimi, Ali Ghaem Maghami, Mehdi Mahabadi, Mohsen Sarab.

Direção: Majid Majidi.

Roteiro: Majid Majidi.

Atores: Hossein Mahjoub, Mohsen Ramezani, Salime Feizi.

País: Irã.

Língua: Persa.

Duração: 90 min.

Gênero: Drama.

Uma Cena Emocionante