A trama de Frenesi é simples: um estrangulador de mulheres está solto em Londres. A polícia começa a investigar o caso e, pra variar, o principal suspeito do assassinato é assim considerado por estar no lugar errado, na hora errada. Richard (John Finch) precisa lutar para provar a inocência e acaba se envolvendo mais do que deveria no caso. O roteiro não é nada original. É até estranho imaginar que um diretor que já fez Um Corpo Que Cai e Psicose possa ter se dedicado a uma trama nada inovadora.
O que é mais curioso no filme, é que Frenesi foi a penúltima produção de Hitchcock e o filme que marcou a volta do diretor à Inglaterra. Porém, ao contrário do que poderia ser esperado, Frenesi não une as melhores características do diretor, apesar de apresentar muitas delas. Hitchcock continua utilizando os grandes planos-sequência, assim como em Festim Diabólico e usa e abusa das reviravoltas - o que nos dá alguma esperança de que o roteiro vai melhorar. Não há também aqueles personagens tão fortes, complexos e marcantes como Norman Bates de Psicose.
Frenesi não é o pior filme do mestre do suspense, mas também não está perto dos melhores. Os pontos positivos de Frenesi é a maneira quase única com que Hitchcock faz que o espectador se sinta participante da trama; algumas vezes ele deixa de mostrar algumas cenas, para que a platéia tenha a impressão de estar vendo tudo ao vivo. Ele sabe dosar o que vai mostrar na tela.
Frenesi é o tipo de filme que poderia ter alguns minutos a menos que tudo ficaria bem. Não faria falta no entendimento da história. Até porque os momentos mais gloriosos são os de assassinato, fora isso, resta ao espectador esperar mais momentos de suspense.
Talvez para alguém que esteja assistindo pela primeira vez um filme de Hitchcock, Frenesi não pareça assim tão inferior. Mas depois de ver Um Corpo Que Cai, Intriga Internacional, Festim Diabólico etc. Frenesi adquire o tom de mais um filme policial.
Ficha Técnica:
Frenesi (Frenzy)
Inglaterra - 1972
Direção: Alfred Hitchcock
Produção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Anthony Shaffer
Trilha Sonora: Ron Goodwin
Elenco: John Finch, Alec McCowen, Barry Foster, Billie Withelaw, Ann Massey, Barbara Leigh-Hunt, Bernanrd Cribbins, Vivien Merchant, Michael Bates, Jean Marsh, Clive Swift, John Boxer, Madge Ryan, Elsie Randolph
Duração: 116 minutos
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Intriga Internacional
Estados Unidos - 1959
Direção: Alfred Hitchcock
Cary Grant interpreta Roger Tornhill, um publicitário que é confundido com um agente secreto. Para provar que é inocente, Tornhill passa por diversas situações perigosas, que culminam em uma perseguição no Monte Rushmore (monumento com o rosto dos 4 presidentes dos Estados Unidos, na Dakota do Sul).
Intriga Internacional é um filme típico de Hitchcock: mantém o suspense até os últimos minutos. É considerado uma de suas melhores produções e aparece em algumas listas como um dos maiores filmes de todos os tempos. Todas as atribuições positivas que recebeu são merecidas.
Logo que o filme começa, qualquer um que conheça um pouco do estilo de Hitchcock, sabe que Intriga Internacional tem todas as características do diretor, inclusive os créditos, que conta com mais uma parceria de Saul Bass.
Intriga Internacional também foi inspiração para diversos filmes, inclusive para as sequências de 007, como afirma o cineasta francês François Truffaut (Os Incompreendidos, Fahrenheit 451), para ele, os filmes do espião James Bond jamais seriam os mesmos sem Intriga Internacional.
Além da inspirada direção de Alfred Hitchcock, a atuação do casal Roger Tornhill (Cary Grant) e Eve (Eva Marie Saint) é totalmente sincronizada. Os dois conseguem deixar o espectador confuso sobre o que é realmente verdade ou não em tudo o que dizem. É notável também a fotografia do filme, principalmente nas cenas do Monte Rushmore e na perseguição de Tornhill por um avião do meio de um campo de milho. Esses dois momentos são considerados uns dos mais famosos na história do cinema.
Intriga Internacional é um filme perfeito: o roteiro não deixa a desejar, as atuações são notáveis, a fotografia é muito expressiva e a direção tem todos os elementos característicos de Alfred Hitchcock. Este filme é mais uma confirmação de que ele realmente merece todas as menções feitas a seu nome.
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sexta-feira, 9 de abril de 2010
O Terceiro Tiro
Um Cadáver Alcoviteiro
Paisagem outonal, pássaros cantando, um disparo, um cadáver encontrado. Mas, afinal o que terá acontecido a Harry (o falecido)? Para descobrir que tal haver várias pessoas se incriminando ao mesmo tempo? Enterrar e desenterrar o corpo várias vezes tornaria o enigma mais fácil? Quem sabe dar um banho no defunto não resolva todos os problemas?
Partindo dessas premissas um tanto quanto absurdas, Alfred Hitchcock realiza o grande trabalho de diferenciação de sua carreira com O Terceiro Tiro (The Trouble With Harry, 1962). Ao invés do suspense e/ou do drama psicológicos que nortearam sua carreira, o cineasta realiza, dessa vez, uma deliciosa comédia de humor negro recheada de diálogos sarcásticos e politicamente incorretos.
Através da investigação sobre a morte de Harry, Hitchcock traça um nada enfadonho panorama comportamental sobre o homem, eis que para os vivos pouco importa a condição de morto daquele homem, mas sim as implicações negativas ou não que seu falecimento pode acarretar – afinal, dentre tantas coisas, o cadáver serve até mesmo para unir corações solitários...
A elegância com que Hitchcock conta a história também é a mesma com que dirige aspectos técnicos do filme, tais como a fotografia, com a qual aproveita para explorar em enquadramentos bastante peculiares toda a beleza da natureza que compõe o cenário da morte de Harry.
O elenco inspiradíssimo, por sua vez, defende com extrema naturalidade e ironia as ambigüidades de cada personagem, valendo, neste contexto, destacar a presença de Shirley MacLaine que, em início de carreira e no auge de sua beleza, imprime o tom misterioso e também divertido que o papel pedia.
Talvez por ser um filme estranho ao restante da obra de Hitchcock, O Terceiro Tiro se revela como seu trabalho menos estudado e menos conhecido por novas gerações. Contudo, é justamente por conta do talento com que esse afastamento é conduzido que a produção merece o devido status de imprescindibilidade.
Dario Façanha (texto originalmente publicado em http://setimacritica.blogspot.com/)
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